O Boletim ABCP é uma publicação bimestral. Nesta edição: 

1. Notícias da Diretoria 

1.1. Balanço Diretoria da ABCP entre 2012 e 2016

1.2. Eleita nova diretoria da ABCP para o biênio 2016-2018

1.3. Programa de gestão Diretoria biênio 2016-2018

2. Agenda


 

 

Por Carlos R. S. Milani (IESP-UERJ)

Secretário-Executivo da ABCP (2012-2016)

Um balanço completo dos resultados relativos aos dois mandatos da Diretoria da ABCP entre 2012 e 2016 está disponível na página da Associação. No entanto, pareceu-nos importante, neste número do Boletim, sintetizarmos o que foi apresentado no 10° Encontro em Belo Horizonte.

Muito não nos foi possível construir ou concluir. Permanece a falha técnica do sistema de Área de Associados na página da ABCP, projeto que não foi implementado por falta de recursos. Ainda é relativamente pouco efetiva a capacidade institucional em criar um senso de pertencimento nos associados, por exemplo no que diz respeito ao pagamento no prazo das anuidades, especialmente em anos ímpares. Ainda não logramos produzir serviços e benefícios mais tangíveis mormente para os sócios nos níveis efetivo e de graduação. No entanto, a nossa ABCP cresceu significativamente nos últimos quatro anos.  

Hoje somos 1362 associados e associadas, com a participação de 45% de mulheres no total deste número. Destes 1362 sócios, 39% são efetivos e 2% sãorepresentantes de classe ou sócios-profissionais, mas é crescente o número de estudantes em nossa associação: 51% são sócios estudantes de pós-graduação e 8% de graduação. Esta densidade em termos de participação de estudantes é nova na ABCP, representando potencial importante para o desenvolvimento da área de Ciência Política no Brasil. A concentração no Sudeste (52% do total de sócios) e no Sul (19%) é um traço característico da ABCP, refletindo em parte a realidade dos programas de pós-graduação e o desenvolvimento institucional da Ciência Política no Brasil. Ressalta-se, porém, que os números do Nordeste (13%), Centro-Oeste (11%) e do Norte (4%) são expressivos na pluralização e descentralização dos programas no território nacional. No exterior a ABCP tem hoje 1% de seus sócios, grande parte estudantes em doutoramento no exterior e alguns colegas professores e pesquisadores trabalhando na América do Norte e na Europa.

Outro aspecto que merece destaque é o conjunto de acordos formais e informais de cooperação com Associações-irmãs: a ABCP tem hoje 11 acordos com associações nacionais (ABRI e ABED) e internacionais (SAAP/Argentina, AUCIP/Uruguai, Associação Chilena de Ciência Política, Associação Colombiana de Ciência Política, APSA/EUA, AFSP/França, SAAPS/África do Sul, PSA/Reino Unido e ALACIP/América Latina). Membro da International Political Science Association (IPSA) e representante da Ciência Política brasileira nessa organização, a ABCP também firmou um acordo para o lançamento do Prêmio ABCP-IPSA de melhor artigo inédito em inglês para ser publicado, um por ano, na World Political Science Review.

Desses acordos também resultou um programa de incentivos à participação de doutorandos em congressos no exterior. O programa iniciou-se em 2013, por meio de editais no website da ABCP. Em geral, a ABCP seleciona dois candidatos e oferece 50% dos custos com bilhete internacional, ao passo que a associação-irmã cobre os gastos com hospedagem e oferece isenção da taxa de inscrição. Um total de 17 auxílios foi dado até agosto de 2016 e mais três serão oferecidos até 2017 com as seguintes associações: South African Association of Political Studies: três doutorandos (2014 e 2016); Association Française de Science Politique: seis (2015 e 2017); Political Studies Association (Reino Unido): onze (2014, 2015 e 2016). Em 2016, além disso, dois doutorandos sul-africanos participaram do 10° Encontro da ABCP, no âmbito do mesmo tipo de convênio com a SAAPS. Ponto fundamental, com a Associação Mexicana de Ciência Política e Gabriela Ippolito-O’Donnell (representante da família O’Donnell), a ABCP passou a integrar o projeto “Cátedra Guillermo O’Donnel” (www.catedraodonnell.com). Nesses quatro anos, logramos aperfeiçoar normas e procedimentos da ABCP, como a padronização de editais de auxílio, documentos técnicos, por exemplo, o formulário de relatoria das ATs durante os Encontros; a criação das regras de financiamento para participantes dos encontros; a padronização de critérios e procedimentos para as premiações.

Também criamos o sistema F2B de controle de pagamento das anuidades e taxas a partir de 2014. Abrimos a ABCP a sócios estudantes no nível da graduação, criando para eles o programa de estágio para estudantes de graduação de Ciência Política na ABCP. Fizemos algumas reformas do estatuto (critérios de filiação e desfiliação, processo eleitoral, direitos e deveres dos sócios/as, etc.) e criamos, a pedido de associados, novas AT’s (gênero, democracia e políticas públicas; política externa; sociologia política; pensamento político brasileiro). Também fizemos a renovação da comunicação da ABCP. Finalmente, em 2016 concluímos o projeto, desenvolvido em parceria com a Fundação Ford, “Memória da Ciência Política no Brasil”, com o lançamento do livro no 10° Encontro.

A Brazilian Political Science Review (BPSR), publicação da ABCP criada em 2007, teve grandes ganhos nos anos mais recentes. Marta Arretche (DCP/USP) e Janina Onuki (IRI/USP) assumiram a editoria da BPSR em agosto de 2012. Desta data a junho de 2016, a Revista incorporou as seguintes inovações: integração à base Scielo, a partir do volume 6.2, no segundo semestre de 2012; publicação de três números por volume, com periodicidade quadrimestral, a partir do volume 7, em 2013; a BPSR é a única revista brasileira de ciências humanas que disponibiliza em seu site as bases de dados que deram origem aos resultados obtidos em estudos de tipo quantitativo (ver: http://bpsr.org.br/files/arquivos/database.html); a criação da Seção Forum, incorporando-se às já existentes – Research Notes e Review Essays; submissão exclusivamente online, pelo Scholar One, a partir de agosto de 2015; formato de publicação contínua, através da plataforma Scielo, a partir do volume 10, em 2016. Hoje a BPSR está indexada no Scielo – Scientific Eletronic Library Online, no Latindex – Sistema Regional de Información en Línea para Revistas Científicas de América Latina, el Caribe, España y Portugal, em Sumários de Revistas Brasileiras, no OAJI - Open Academic Journal Index, no ProQuest e no Redalyc. Um relatório completo feito pelas editoras, do qual esses dados foram retirados, encontra-se disponível na página da ABCP para todos os associados.

Ao final dessa trajetória, desejo muito sucesso à nova Diretoria, em especial ao Presidente da ABCP, Renato Perissinotto, bem como a quem me sucede nesta responsabilidade, a Secretária-Executiva Cristina Buarque de Hollanda, querida amiga e colega do IESP-UERJ. 

 

 

Foi eleita, no último dia 1 de setembro de 2016, a nova diretoria da ABCP para o período 2016-2018. No mesmo dia, a Assembleia Geral da associação ratificou as eleições gerais que ocorreram durante o 10°Encontro. Confira a seguir quem são os membros eleitos e suas funções:

Presidente: Renato Perissinotto, UFPR

Secretária Executiva: Cristina Buarque de Holanda, IESP-UERJ

Secretária Executiva Adjunta: Cláudia Faria, UFMG

Diretoria de Cooperação Internacional: Marcelo Medeiros, UFPE

Diretoria de Publicações: Oswaldo Amaral, Unicamp

Diretoria de Projetos: Luciana Veiga, UniRio

Diretoria de Pesquisa: Wagner Mancuso, USP

Diretoria de Ensino de Graduação: Lígia Madeira, UFRGS

Diretoria de Ensino de Pós-Graduação: André Borges, UNB

Conselho Fiscal:

Pedro Mundim, UFG

Bárbara Dias, UFPA

Henrique Menezes, UFPB

 

 

À Comunidade de associados da Associação Brasileira de Ciência Política,

Desde a sua criação efetiva em 1996, a ABCP cresceu e se consolidou, contando hoje com um total de cerca de 1300 associados, espalhados por todas as regiões e unidades da federação. Esse processo acompanhou o notável avanço da pósgraduação em nossa área. Em 2015 já havia um total de 34 cursos entre mestrados, doutorados e mestrados profissionais. A concentração regional da pósgraduação e da pesquisa científica em Ciência Política e Relações Internacionais na região Sudeste se reduziu concomitantemente ao crescimento do número de instituições e programas da área nas demais regiões. Mais da metade dos programas de pós-graduação estão localizados fora do Sudeste, sendo sete na região Nordeste, sete na região Sul e os demais cinco programas nas regiões Centro-Oeste (4) e Norte (1).

Esse processo de desconcentração regional se reflete também na distribuição dos associados da ABCP: do total de 1362 associados, 52% residem na região Sudeste e 47% nas demais regiões. Estas mudanças também se refletem nas atividades e na distribuição de recursos à pesquisa. A título de comparação, no ano de 2009, do total de projetos financiados pelo CNPq na área de Ciência Política, 55% eram coordenados por pesquisadores lotados em instituições da região Sudeste. Logo em seguida vinham as regiões Nordeste e Centro-Oeste, com 21% e 12% do total de projetos, respectivamente. Os dados de junho de 2016 mostram que a região Sudeste não mais responde pela maioria dos projetos financiados pelo CNPq: do total de projetos da área, 46.7% são coordenados por pesquisadores do Sudeste, 25% por pesquisadores do Nordeste, 14% da região Sul, e os demais 13% por pesquisadores do Centro-Oeste e Norte. 

Em outras palavras, a área de Ciência Política se expandiu, nacionalizou-se e se profissionalizou cada vez mais nas últimas décadas, o que tem impactos importantes para a organização e funcionamento da nossa associação. Acreditamos que a ABCP deve ser vista como uma entidade devotada a criar condições favoráveis para o exercício da profissão de cientista político no Brasil, tomando medidas que aproximem cada vez mais seus sócios e que produzam uma vida associativa que vá além dos encontros bianuais organizados pela ABCP. Avaliamos que a nova diretoria deve atuar em duas grandes frentes interligadas: administrativa e prestação de serviços aos associados.

Assim, propomos, do ponto de vista administrativo, promover um processo de descentralização da gestão da entidade. O crescimento da comunidade de cientistas políticos no Brasil foi acompanhado de uma diversificação crescente de orientações teórico-metodológicas e de objetos de pesquisa. Para responder a essa nova situação, propomos a criação de diretorias regionais que poderiam cumprir três funções: primeira, organizar pequenos eventos regionais durante os anos em que não há encontro nacional; segunda, promover campanhas de filiação locais e, terceira, ser a via institucional de contato entre essas regiões e a direção nacional. É importante observar que a diversificação a que nos referimos acima se manifesta também numa pluralidade de posições relativas aos mais diversos temas da vida nacional. Nesse sentido, avaliamos que seria importante algum procedimento de consulta online aos associados da ABCP quando a direção da entidade avaliar ser necessário assumir posição pública sobre temas importantes. Evidentemente, essas mudanças implicariam alterações no estatuto da ABCP, o que depende de aprovação da Assembleia Geral da entidade. 

Do ponto de vista da prestação de serviços aos associados pensamos em realizar os seguintes pontos. Organização de cursos pela ABCP, valendo-se do seu quadro de associados, com vistas a colocar seu conteúdo à disposição dos sócios. Tais cursos podem assumir a forma de cursos livres de Ciência Política com o objetivo de contribuir para a formação teórica e metodológica de um público amplo de pessoas afeitas à área, abrangendo interessados em geral, alunos de graduação em Ciência Política em todo o Brasil e professores de ensino médio, que normalmente têm precária formação na área. Aventa-se também a possibilidade de realizar aulas gravadas, colocadas à disposição da comunidade na internet, e que possam ser usadas por professores de níveis superior e médio na elaboração dos seus cursos. Nossa ideia é que o conteúdo desse material seja, a princípio, de livre acesso e, posteriormente, colocado na área restrita ao sócio na página da ABCP, a ser redesenhada no futuro próximo. Vinculada a essa proposta, temos a intenção de ampliar o quadro de associados da entidade, trazendo para dentro da ABCP professores de ensino médio que se interessem pela área e que possam usar o material produzido pela Associação para fins didáticos. Adicionalmente, pretendemos criar um prêmio para o melhor paper do congresso da ABCP, a ser publicado na Brazilian Political Science Review. O prêmio seria concedido ao melhor trabalho do evento nacional, escolhido a partir de processo de triagem feito pelas próprias ATs.

Por fim, pretendemos dar continuidade a duas atividades já existentes. Primeiramente, quanto ao Boletim da ABCP, vamos redefinir a sua função e periodicidade, adotando para tanto o formato HTML. Essa mudança tornará o Boletim um canal de comunicação muito mais ágil. Além disso, pretende-se criar dois bancos de informação adicionais: o Ciência Política Agora, um banco de informação sobre o que se publica na área no momento atual, e o Banco de disciplinas, que é a reunião de todos os programas de disciplinas ofertadas na área no país, com o objetivo de auxiliar os professores na elaboração dos seus cursos e na circulação das referências bibliográficas utilizadas. Em segundo lugar, manteremos os convênios com as associações irmãs, dando continuidade à política de viabilizar a circulação de conhecimento entre cientistas políticos do Brasil e de outros países. 

Renato Perissinotto

Presidente da ABCP (2016-2018)